terça-feira, 29 de abril de 2008

Um blog caiado…

Já vi que não gostam de ver um blog caiado… Mas podem começar a pensar qual é a cor que vamos escolher, porque não basta dizer “Devia ter outra cor, pah… ”. Para isso quero a referência da lata da tinta para ir a Drogaria Canudo…
Escolham aqui as cores e enviem o código nos comentários…

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Grândola Vila Morena na ocupação da Herdade da Torre Bela



A 23 de Abril de 1975, 500 desempregados de Manique, no Ribatejo, ocupam as quatro propriedades de Manuel de Bragança, Duque de Lafões.

Sexto comunicado do MFA, desta vez aos microfones da Emissora Nacional

As Forças Armadas iniciaram uma série de acções com vista à libertação do País do regime que há longo tempo o domina. Nos seus comunicados, as Forças Armadas têm apelado para a não intervenção das forças policiais, com o objectivo de se evitar derramamento de sangue. Embora este desejo se mantenha firme, não se hesitará em responder, decidida e implacavelmente, a qualquer oposição que venha a manifestar-se. Consciente de que interpreta os verdadeiros sentimentos da nação, o movimento das Forças Armadas prosseguirá na sua acção libertadora e pede à população que se mantenha calma e que recolha às suas residências.
Viva Portugal!

Quinto comunicado do MFA

Aqui posto de comando das Forças Armadas.
Conforme tem sido transmitido, as Forças Armadas desencadearam, na madrugada de hoje, uma série de acções com vista à libertação do País do regime que há longo tempo o domina.
Nos seus comunicados as F. A. têm apelado para a não intervenção das forças policiais, com o objectivo de se evitar derramamento de sangue. Embora este desejo se mantenha firme, não se hesitará em responder, decidida e implacavelmente, a qualquer oposição que se venha a manifestar.
Consciente de que interpreta verdadeiros sentimentos da Nação, o M. F. A. prosseguirá na sua acção libertadora, e pede à população que se mantenha calma e que recolha às suas residências.
Viva Portugal.

Quarto comunicado do MFA

Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.
Atenção elementos das forças militarizadas e policiais. Uma vez que as Forças Armadas decidiram tomar a seu cargo a presente situação, será considerado delito grave qualquer oposição das forças militarizadas e policiais às unidades militares que cercam a cidade de Lisboa. A não obediência a este aviso poderá provocar um inútil derramamento de sangue, cuja responsabilidade lhes será inteiramente atribuída. Deverão, por conseguinte, conservar-se dentro dos seus quartéis até receberem ordens do Movimento das Forças Armadas. Os comandos das forças militarizadas e policiais serão severamente responsabilizados, caso incitem os seus subordinados à luta armada.

É lido o terceiro comunicado do MFA

Para que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, apelamos para o bom senso dos comandos das Forças Militarizadas no sentido de serem evitados confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo. Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua ocorrência aos hospitais a fim de prestar a sua eventual colaboração, que se deseja sinceramente desnecessária.
A todos os elementos das Forças Militarizadas e policiais, o Comando do Movimento das Forças Armadas aconselha a máxima prudência, a fim de serem evitados quaisquer recontros perigosos. Não há intenção deliberada de fazer correr sangue desnecessariamente, mas tal acontecerá caso alguma provocação se venha a verificar.
Apelamos, portanto, para que regressem imediatamente aos seus quartéis, aguardando as ordem que lhes serão dadas pelo Movimento das Forças Armadas. Serão severamente responsabilizados todos os comandos que tentarem por qualquer forma conduzir os seus subordinados à luta com as Forças Armadas.
Informa-se a população de que, no sentido de evitar todo e qualquer incidente ainda que involuntário, deverá recolher a suas casas, mantendo absoluta calma. A todos os elementos das forças militarizadas, nomeadamente às forças da G.N.R. e P.S.P. e ainda às Forças da Direcção-Geral de Segurança e Legião Portuguesa, que abusivamente foram recrutadas, lembra-se o seu dever cívico de contribuírem para a manutenção da ordem pública, o que, na presente situação, só poderá ser alcançado se não for oposta qualquer reacção às Forças Armadas. Tal reacção nada teria de vantajoso, pois conduziria a um indesejável derramamento de sangue, que em nada contribuiria para a união de todos os portugueses. Embora estando crentes no bom senso e no civismo de todos os portugueses, no sentido de evitarem todo e qualquer recontro armado, apelamos para que os médicos e o pessoal de enfermagem se apresentem em todos os hospitais para uma colaboração que fazemos votos seja desnecessária.

Leitura do segundo comunicado do MFA, na antena do RCP

A todos os elementos das forças militarizadas e policiais o comando do Movimento das Forças Armadas aconselha a máxima prudência, a fim de serem evitados quaisquer recontros perigosos. Não há intenção deliberada de fazer correr sangue desnecessário, mas tal acontecerá caso alguma provocação se venha a verificar.
Apelamos, portanto, para que regressem imediatamente aos seus quartéis, aguardando as ordens que lhes serão dadas pelo M. F. A.
Serão severamente responsabilizados todos os comandos que tentarem por qualquer forma conduzir os seus subordinados à luta com as Forças Armadas.

Leitura do primeiro comunicado do MFA, pela voz do jornalista Joaquim Furtado, aos microfones do Rádio Clube Português

Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas.

As Forças Armadas portuguesas apelam a todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas, no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os Portugueses, o que há que evitar a todo o custo. Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração, que se deseja, sinceramente, desnecessária.

Revolução dos Cravos: 2º Sinal



O segundo sinal foi dado às 0h20 m, quando foi transmitida a canção ”Grândola Vila Morena“, de José Afonso, pelo programa Limite, da Rádio Renascença, que confirmava o golpe e marcava o início das operações. O locutor de serviço nessa emissão foi Leite de Vasconcelos, jornalista e poeta moçambicano.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Revolução dos Cravos: 1º Sinal



Às 22h 55m é transmitida a canção ”E depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, pelos Emissores Associados de Lisboa, emitida por Luís Filipe Costa. Este foi um dos sinais previamente combinados pelos golpistas e que desencadeou a tomada de posições da primeira fase do golpe de estado.

25 de Abril: Entrevista a Helena Romana


Com o aproximar do dia em que se festeja a Revolução dos Cravos, lançámos o repto a Sra. Helena Romana, Presidente da Junta de Freguesia de Santo Amador, para nos responder a umas questões.


Blog - Como nasceu antes do 25 de Abril de 1974, como recorda o período da revolução?

Helena Romana - Recordo-me do próprio dia. Tinha 5 anos. A minha mãe e a minha avó choravam, porque o meu tio vivia na zona da grande Lisboa e elas temiam por ele.
Os primeiros tempos de LIBERDADE foram de euforia; todos acorreram em massa às urnas; todos participavam activamente, quer na vida politica quer nos problemas da sociedade em geral; o nível de vida melhorou em pouco tempo; havia emprego para todos; havia alegria; havia esperança.


B. - A revolução trouxe o poder ao povo. Do seu ponto de vista, será que o povo ainda mantém o poder?

H. R. - O maior poder colectivo foi o direito ao voto.
Para as mulheres foi decisivo o direito à igualdade em relação ao homem, o que, progressivamente veio dar-lhes mais poder e autonomia.
Com a revolução o povo obteve sobretudo direitos, que a maioria, não julgavam possíveis ou nem imaginavam vir ter (horário laboral, férias, subsidio de desemprego, direito à saúde, direito a expressar-se livremente, etc.).
Ao longo destes anos, aos poucos alguns desses direitos foram subtilmente sendo rectificados em prol duma sociedade mais capitalista.


B. - O que foi feito durante estes 33 anos, que não devia ter sido feito? E o que não foi feito durante estes 33 anos, que deveria ter sido feito?



H. R. - Aos poucos cresceu um país a duas velocidades: litoral e interior; ricos e pobres.
Os salários baixaram, o desemprego aumentou, começaram a faltar oportunidades para os jovens, aumentou o fosso entre ricos e pobres e, estas questões estruturais parecem estar em segundo plano para os nossos governantes, pois, de ano para ano o poder de compra vai sendo reduzido, sem uma solução de fundo à vista.
Todo o interior sofre com a desertificação. No litoral temos pré-fabricados como escolas, a abarrotar de crianças; no interior, temos edifícios escolares a fechar anualmente. O mesmo caminho das escolas no interior, seguem os Postos da GNR, da PSP, dos Correios, os SAP, etc.
A Regionalização faria todo o sentido para um desenvolvimento sustentado em Portugal.


B. - A democracia faz-se todos os dias... Mas a maioria pensa que é fazer um "X" nas eleições, e o resto do tempo, os outros que resolvam os problemas. Do seu ponto de vista, como é que se pode inverter esta situação?

H. R. - Com estabilidade e crescimento. Estes dois factores propiciam um maior nível cultural, por conseguinte, uma maior participação activa da sociedade em todas as vertentes politicas e sociais.



B. - O que fez trocar uma vida sossegada e contrariar a tendência, isto é, participar activamente na comunidade?

H. R. - Para mim A Natureza é Minha Mestra e ela ensina-me (ensina-nos) muito, dou-vos um exemplo: Verde e a crescer ou maduro e a apodrecer. Podemos estar verdes (sabemos tão pouco!) e a crescer (aprendendo todos os dias) até ao final da nossa vida.
Esta é a minha forma de olhar e de estar na vida.
Por isso e porque gosto muito da minha terra, aceitei este desafio. Cansativo e preocupante... mas ao mesmo tempo estimulante e compensador. Sinto que estou a cumprir um dever para com Santo Amador.



B. - Qual é a mensagem que deixa aos visitantes do blog sobre esta data?

H. R. - LIBERDADE: Condição do ser que pode agir livremente, isto é, consoante as leis da sua natureza, da sua fantasia, da sua vontade; poder ou direito de agir sem coerção ou impedimento; poder de se determinar a si mesmo, em plena consciência e após reflexão, e independentemente das forças interiores de ordem racional; livre arbítrio; personificação das ideias liberais; tolerância; ousadia; licença, desassombro, franqueza; deliberação, imunidades; regalias; atrevimento (de consciência); direito de professar as opiniões religiosas ou politicas que se julguem verdadeiras.

VIVA O 25 DE ABRIL

Cumprimentos... Ou melhor um beijinho para todos os que têm Santo Amador no coração.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

O regresso ao passado...

Vejam se conhecem estas lindas carinhas???
O primeiro grupo coral de Santo Amador

Quem são estes primos???
Por: Mindo Monteiro

quinta-feira, 17 de abril de 2008

RIO ARDILA | PARTE VISUAL

Num dia de nevoeiro da invernia de 2007, toca que o Gato e Tózé aí vão à procura da nascente do NOSSO Ardila. Faltou pouco para encontrar o local exacto de onde brotam as gotinhas que fazem maravilhas pelos campos fora. Os "perritos" e as silvas não foram nossas amigos...
Hoje ficam as imagens do Ardila ainda pequenino. Noutro dia partilharei convosco as peripécias e descobertas de um dia em cheio!





Jacinto Montezo: vídeo GNR+GNR juntos em palco

sábado, 12 de abril de 2008

A UTOPIA DO INTERIOR RURAL

O texto que se segue é o afamado comentador/jornalista da nossa praça, Francisco Sarsfield Cabral, publicado no dia 17 de Março no Público.

Um conjunto de ideias fáceis, de corrente, com um discurso inconsequente...

Caros conterrâneos, o que pensam destas palavras?


«Toda a gente critica a desertificação do interior do país, pressupondo que a tendência poderá ser invertida. Mas poderá mesmo? O Governo é acusado de agravar o problema encerrando no interior escolas, maternidades, tribunais (no novo mapa judiciário) e outros serviços públicos. Responde o Governo não fazer sentido manter escolas com menos de dez alunos, serviços de saúde sem um mínimo de movimento que os torne eficazes, tribunais quase sem processos (enquanto outros estão entupidos com montanhas deles), etc. É um ciclo vicioso: as pessoas fogem do interior porque não encontram lá oportunidades de emprego nem uma oferta razoável de serviços públicos (educação, saúde, justiça, etc.). E o Estado e as empresas evitam o interior porque vive lá pouca gente. Até que ponto é possível quebrar esse ciclo vicioso, através de políticas voluntaristas de promoção do desenvolvimento do interior? E quanto custariam elas? O problema não é só nosso. É universal a tendência moderna para as populações irem viver nas cidades. Mais de metade da população mundial já habita em áreas urbanas. No passado pré-industrial não era assim. A ideia de melhorar de nível económico e social era então uma utopia para a esmagadora maioria das pessoas, que ficavam agarradas ao campo, o seu ganha-pão. Com a industrialização tudo mudou. O desenvolvimento económico levou à concentração de pessoas, empresas e serviços públicos nas zonas urbanas. É aí que os investidores encontram mão-de-obra, bancos para os financiarem, serviços do Estado para lhes darem as necessárias licenças, meios de transporte para receberem fornecimentos e expedirem mercadorias, etc. Em Portugal a industrialização começou tarde, depois da Segunda Guerra Mundial. Por isso a saída das pessoas dos campos para as cidades só ganhou escala significativa há meio século. Mas de então para cá acelerou rapidamente. A mobilidade das populações foi intensificada pela cada vez maior abertura das economias ao intercâmbio internacional. A entrada da economia portuguesa na integração europeia (na EFTA, em 1960) aumentou a concorrência sentida por muitas empresas nacionais, mais um factor a incentivar a concentração geográfica de meios. Assim, o desequilíbrio entre um interior pobre, sem indústria, e uma faixa litoral mais desenvolvida não poderia senão aumentar, como aumentou. O fim do "Portugal essencialmente agrícola" também significou a morte previsível (mas raramente prevista) das aldeias. É, com certeza, uma tragédia pessoal para os poucos, geralmente velhos, que ainda lá estão. Vêem desabar o seu mundo com a partida dos mais novos, que procuram formação e emprego onde eles existem (ou parecem existir). Contra esta tendência, tenta-se atrair investimentos privados para o interior com benefícios fiscais. Os resultados são quase nulos. E, na falta de actividades económicas, as estradas que se constroem para quebrar o isolamento do interior servem sobretudo para as pessoas, uma vez instaladas no litoral, irem ao campo, onde muitas possuem segundas residências, nos fins-de- semana ou em férias. O máximo que, com um custo comportável, é possível fazer para travar a desertificação do interior está no desenvolvimento de algumas cidades médias. Cidades como Évora ou Vila Real, que beneficiam de terem universidades - mas não se pode colocar uma universidade em cada centro urbano. A sempre adiada descentralização de serviços (coisa diferente da regionalização) para esses núcleos urbanos médios ajudará, naturalmente, se vier a concretizar-se. Quando a qualidade de vida decai nos grandes aglomerados do litoral (por causa dos engarrafamentos de trânsito, nomeadamente), o progresso das telecomunicações atrai gente para uma vida mais calma em cidades do interior. Mas não haja ilusões: os grandes centros urbanos continuarão a oferecer bens que o interior, mesmo em cidades de média dimensão, não consegue disponibilizar. A nível pessoal e profissional. Há que ser realista, pois. E o pior dos irrealismos é pensar que uma reorganização político-administrativa como a regionalização, feita a partir de cima e sem correspondência em forças vivas locais, seria capaz de inverter a desertificação do interior. A realidade não se esgota no mundo político-partidário que gostaria de inventar mais empregos com mais burocracia.»

25 de ABRIL: FESTA DA LIBERDADE E DEMOCRACIA


DIA 25 sexta feira
09:00_ ROMAGEM AO CEMITÉRIO PARA INAUGURAÇÃO DE MEMORIAL E HOMENAGEM AOS AUTARCAS FALECIDOS
10:30_ARRUADA COM A BANDA DA SFUM “OS AMARELOS”
13:00_TORNEIO DE ENVIDO (CENTRO CULTURAL)
21:30_ MÚSICA POPULAR PORTUGUESA COM “SONS DA CAMPINA” (CENTRO
CULTURAL)
BAILE COM O ORGANISTA “ROBERTO CARLOS”

DIA 26 sábado
09:30_ PASSEIO DE BICICLETA PELA FREGUESIA
16:00_INAUGURAÇÃO DO PARQUE DA EIRINHA
SARDINHADA POPULAR

DIA 27 domingo
09:00_PERCURSO D’ALVORADA
15:00_ TORNEIO DE DAMAS (PARQUE DE JOGOS)
16:00_ TORNEIO DE TÉNIS DE MESA (PARQUE DE JOGOS)

quinta-feira, 10 de abril de 2008

O nosso Maestro é notícia...


Venho por este meio tomar a liberdade de lhe solicitar a divulgação de uma notícia que saiu hoje (09Abr08), no jornal Diário de Noticias, relativa a um distinto Oficial da GNR, que tal como eu é natural dessa pequena mas grande Aldeia dos nossos corações, porque julgo que ainda existem ai pessoas que o conhecem ou são da sua família.
Este nosso conterrâneo, do qual ainda sou parente e que tivemos por ironia do destino a honra de frequentar o mesmo curso de Oficiais, saiu da nossa Aldeia com 3 anos de idade.
É um Oficial muito conhecido nacional e Internacionalmente, devido aos seus dotes de musico e Maestro. Já tive o prazer de o ouvir tocar ao vivo.
Porque é sempre grato ver alguém que nasceu num lugar tão distante das oportunidades, tornar-se conhecido e reconhecido pelas suas capacidades, julgo que é motivo de orgulho para todos nós, que como ele vieram ao mundo por uma porta chamada SANTO AMADOR.

Um abraço para todos os Santoamadorenses,


António Lobo, Major

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Mais fotos de Timor Leste...






Post Scriptum - Optei por não fazer comentários as fotografias enviadas pelo Francisco, porque uma imagem vale mais do que mil palavras... Mas fico com uma dúvida, os miúdos das fotos são Lobinhos? Lol...
Um abraço e muito cuidado na actual missão...

terça-feira, 1 de abril de 2008

Gente da minha Terra!

É com todo o prazer que aceitei o convite feito pelo administrador deste Blog para contar algumas das minhas experiências nas viagens em missão de serviço que realizei pelo mundo fora (quase pelos “4 cantos do Mundo” como ele diz). Considero que a ideia poderá vir a ter algum interesse na medida em que por alguns destes sítios também passaram outras pessoas da Aldeia, e que certamente os levará ao baú onde guardam as suas memórias!
Por ter sido onde iniciei as viagens, falar-vos-ei de Timor-Leste. Nesta Ilha, a cerca de 22 000 km de distância, que eu tenha conhecimento, e peço desculpa se me esquecer de alguém, também estiveram o José Feijão e o Sobrino a cumprir o serviço militar, e para eles: “Diak ah lay”.
Na minha narrativa tentarei explicar as circunstâncias e os motivos que levaram ao empenhamento da GNR nas duas vezes que foi solicitada a nossa colaboração!
É sob uma perspectiva pessoal que vos irei falar, não entrando em pormenores históricos porque pela Internet consegue-se obter toda essa informação!
Em 30 de Agosto de 1999 é realizado um referendo em Timor-Leste, com a esmagadora maioria da população a votar pela independência do território. Tal não foi bem aceite pela Indonésia, país que tinha invadido Timor em 1975. Os militares Indonésios e a “facção” Pro-Indonésia criam grupos de rebeldes, as Milícias, que levam o terror às ruas de Dili – Capital de Timor - bem como ao resto da Ilha.
Estando as Nações Unidas e toda a opinião Pública de olhos postos em Timor, foi decidido, por unanimidade, intervir em Timor-Leste e sanar de uma vez por todas o conflito ali existente.
Portugal compromete-se com a ONU em enviar, para além dos militares, uma companhia de Ordem Pública com caris militar para, em conjunto com outras forças internacionais, trazer a paz e tranquilidade pública àquele povo!
Em 10 de Março de 2000 parto para Timor-Leste. Encontrando um manto de destruição e tristeza, aos poucos e com muitas horas de patrulhamento, fomos implementando o respeito e a confiança na nossa força, levando a que após o segundo mês da nossa permanência naquele território, Dili deixasse de ser a cidade fantasma que encontrámos à chegada, voltando a haver comércio, escola e tranquilidade pública!
Após ter sido formalmente proclamada a independência de Timor-Leste, 30 de Maio de 2002, os “Guns and Roses” (GNR) como fomos e somos apelidados pelos Timorenses e pela comunidade estrangeira ali presente, por decisão da ONU, termina a sua missão, deixando o quartel por nós construído á UIR – Unidade de Intervenção Rápida – de Timor-Leste, força constituída por policias Timorenses para nos substituir.
Retirámos com a firme convicção e sentimento do dever e missão cumprida, pois, a liberdade, a tranquilidade e a segurança daquela ilha paradisíaca estavam garantidas!
Aparentemente o País tinha “pernas para andar” com o seu governo, polícia e restante estrutura.
Qual não é o espanto de toda a Comunidade Internacional, onde me englobo, quando em inícios de 2006 se volta a ouvir falar de instabilidade politica e social em Timor-Leste. O processo anteriormente desenvolvido estava comprometido, estava a ir água abaixo!
Em Março começa a haver alguns confrontos e no início de Maio são mortos cerca de duas dezenas de Policias da UIR pelos militares da FDTL. Assim, enquanto os militares e os policias se matam, reina novamente a anarquia em Timor-Leste, com novas destruições, saqueamentos, etc. Desta vez, mais grave do que na primeira, os timorenses estavam divididos! Alguém lhes incutiu a ideia que tinha de haver separação entre os Loro Mundo, nascidos na parte Ocidental da Ilha, e os Loro Sae nascidos na parte Leste da mesma, chegando ao cúmulo de apenas uma rua separar moradores de ambas as partes, ou seja vizinhos de uma vida, que subitamente se agridem e queimam as casas mutuamente.
Os Loro Sae, em minoria, refugiam-se em “campos de deslocados”, assim designados pelas Organizações Internacionais.
Através de um acordo Bilateral, numa primeira fase, e pela égide da ONU, depois, a GNR recebe a ordem de enviar novo contingente para o território tendo, de forma nunca antes vista, aproximadamente oito dias para o preparar e colocar em Timor-Leste!
Em 02 de Junho de 2006 às 23H50 estava, novamente, a embarcar para Timor-Leste, ao qual chegámos dia 04, às 07 da manhã.
Foi inédito o que vivi à chegada a Baukau, 2ª maior cidade de Timor, talvez a experiência profissional mais marcante na minha curta carreira e até aos dias de hoje. Esperavam-nos centenas de pessoas. Ao longo da estrada, durante as cinco horas de viagem até Dili, em todas as localidades, estava o povo na berma com bandeiras de Portugal. Isto era mais do que uma demonstração de carinho, era como se nos tivessem a dizer que o seu futuro, a sua esperança, mais uma vez, estava nas nossas mãos!
Estes gestos para o comum dos mortais pode não significar muito ou mesmo nada, mas para um militar... que se orgulhe e goste de o ser, é tudo!
Já em Dili, eis que volto a encontrar, seis anos depois, a cidade fantasma e destruída do passado.
Era o começar tudo de novo, embora com um grau de dificuldade acrescido. O ódio estava instalado num povo dividido, do género: se queimaste a minha casa, queimar-te-ei a tua, se me mataste um familiar...
Todos nós sabemos o que é o sentimento de vingança e revolta! Não foi e não está a ser nada fácil sarar essas feridas!
Neste tipo de trabalho tem de haver cuidados acrescidos na preparação e mentalização dos intervenientes, os militares, prepara-los psíquica e fisicamente para as dificuldades do “teatro” onde vamos Operar. Neste caso em especifico até de Bombeiros tivemos de fazer, pois estes, a partir do pôr-do-sol, não respondiam a mais chamadas, tinham receio de sair à rua, ou os escoltávamos do quartel ao incêndio ou então nada feito. Ao início eram dezenas de casas a arder, então optámos, na maioria dos casos, em deitar mãos à obra, afim de minimizar os estragos!
Nesta missão, devido à sua complexidade, em 25 de Novembro de 2006 regresso a Portugal com o sentimento que todo o esforço por nós dispendido não foi o suficiente para estabilizar e sanar o conflito ali subjacente. O clima ficou tenso, e pelos últimos acontecimentos constatei e comprovei isso mesmo. Onde existe o sentimento de vingança, aparentemente está tudo bem mas na primeira oportunidade... só as gerações futuras, apostando na educação e formação, poderão ultrapassar e sarar estas feridas!
Pelo seu olhar de sofrimento, pelo seu sorriso, pela sua generosidade, por verem em nós aquilo que um dia gostariam de ser, é por elas, crianças, que isto tudo tem muito significado para nós...
Pedindo desculpa à Dª. Mariete, minha professora na primária, caso haja algumas imprecisões ao nível da escrita e prometendo vir a falar de outros locais por onde passei, despeço-me de vós com a firme esperança de estar a contribuir para que o Blog da nossa Terra sirva também para trocar experiências vividas por todos aqueles que, por circunstâncias da vida, vivem afastados, presencialmente, da nossa terra!
Viva a nossa Aldeia e viva aqueles que por ela “lutam”!



Francisco Cascalhais "Bituco", o autor do texto


Cristo Rei

O Francisco num campo de deslocados

A guerra fratricida entre os timorenses provoca a destruição...

O resultado da destruição...

Os timorenses alegres com a passagem dos militares da GNR

Um povo irmão...

O paraíso...

Quartel da Rapid Response Unit - GNR

As crianças e os militares...

Os Lobos