sexta-feira, 18 de abril de 2008
quinta-feira, 17 de abril de 2008
RIO ARDILA | PARTE VISUAL
Num dia de nevoeiro da invernia de 2007, toca que o Gato e Tózé aí vão à procura da nascente do NOSSO Ardila. Faltou pouco para encontrar o local exacto de onde brotam as gotinhas que fazem maravilhas pelos campos fora. Os "perritos" e as silvas não foram nossas amigos...
Hoje ficam as imagens do Ardila ainda pequenino. Noutro dia partilharei convosco as peripécias e descobertas de um dia em cheio!
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terça-feira, 15 de abril de 2008
sábado, 12 de abril de 2008
A UTOPIA DO INTERIOR RURAL
O texto que se segue é o afamado comentador/jornalista da nossa praça, Francisco Sarsfield Cabral, publicado no dia 17 de Março no Público.
Um conjunto de ideias fáceis, de corrente, com um discurso inconsequente...
Caros conterrâneos, o que pensam destas palavras?
«Toda a gente critica a desertificação do interior do país, pressupondo que a tendência poderá ser invertida. Mas poderá mesmo? O Governo é acusado de agravar o problema encerrando no interior escolas, maternidades, tribunais (no novo mapa judiciário) e outros serviços públicos. Responde o Governo não fazer sentido manter escolas com menos de dez alunos, serviços de saúde sem um mínimo de movimento que os torne eficazes, tribunais quase sem processos (enquanto outros estão entupidos com montanhas deles), etc. É um ciclo vicioso: as pessoas fogem do interior porque não encontram lá oportunidades de emprego nem uma oferta razoável de serviços públicos (educação, saúde, justiça, etc.). E o Estado e as empresas evitam o interior porque vive lá pouca gente. Até que ponto é possível quebrar esse ciclo vicioso, através de políticas voluntaristas de promoção do desenvolvimento do interior? E quanto custariam elas? O problema não é só nosso. É universal a tendência moderna para as populações irem viver nas cidades. Mais de metade da população mundial já habita em áreas urbanas. No passado pré-industrial não era assim. A ideia de melhorar de nível económico e social era então uma utopia para a esmagadora maioria das pessoas, que ficavam agarradas ao campo, o seu ganha-pão. Com a industrialização tudo mudou. O desenvolvimento económico levou à concentração de pessoas, empresas e serviços públicos nas zonas urbanas. É aí que os investidores encontram mão-de-obra, bancos para os financiarem, serviços do Estado para lhes darem as necessárias licenças, meios de transporte para receberem fornecimentos e expedirem mercadorias, etc. Em Portugal a industrialização começou tarde, depois da Segunda Guerra Mundial. Por isso a saída das pessoas dos campos para as cidades só ganhou escala significativa há meio século. Mas de então para cá acelerou rapidamente. A mobilidade das populações foi intensificada pela cada vez maior abertura das economias ao intercâmbio internacional. A entrada da economia portuguesa na integração europeia (na EFTA, em 1960) aumentou a concorrência sentida por muitas empresas nacionais, mais um factor a incentivar a concentração geográfica de meios. Assim, o desequilíbrio entre um interior pobre, sem indústria, e uma faixa litoral mais desenvolvida não poderia senão aumentar, como aumentou. O fim do "Portugal essencialmente agrícola" também significou a morte previsível (mas raramente prevista) das aldeias. É, com certeza, uma tragédia pessoal para os poucos, geralmente velhos, que ainda lá estão. Vêem desabar o seu mundo com a partida dos mais novos, que procuram formação e emprego onde eles existem (ou parecem existir). Contra esta tendência, tenta-se atrair investimentos privados para o interior com benefícios fiscais. Os resultados são quase nulos. E, na falta de actividades económicas, as estradas que se constroem para quebrar o isolamento do interior servem sobretudo para as pessoas, uma vez instaladas no litoral, irem ao campo, onde muitas possuem segundas residências, nos fins-de- semana ou em férias. O máximo que, com um custo comportável, é possível fazer para travar a desertificação do interior está no desenvolvimento de algumas cidades médias. Cidades como Évora ou Vila Real, que beneficiam de terem universidades - mas não se pode colocar uma universidade em cada centro urbano. A sempre adiada descentralização de serviços (coisa diferente da regionalização) para esses núcleos urbanos médios ajudará, naturalmente, se vier a concretizar-se. Quando a qualidade de vida decai nos grandes aglomerados do litoral (por causa dos engarrafamentos de trânsito, nomeadamente), o progresso das telecomunicações atrai gente para uma vida mais calma em cidades do interior. Mas não haja ilusões: os grandes centros urbanos continuarão a oferecer bens que o interior, mesmo em cidades de média dimensão, não consegue disponibilizar. A nível pessoal e profissional. Há que ser realista, pois. E o pior dos irrealismos é pensar que uma reorganização político-administrativa como a regionalização, feita a partir de cima e sem correspondência em forças vivas locais, seria capaz de inverter a desertificação do interior. A realidade não se esgota no mundo político-partidário que gostaria de inventar mais empregos com mais burocracia.»
Um conjunto de ideias fáceis, de corrente, com um discurso inconsequente...
Caros conterrâneos, o que pensam destas palavras?
«Toda a gente critica a desertificação do interior do país, pressupondo que a tendência poderá ser invertida. Mas poderá mesmo? O Governo é acusado de agravar o problema encerrando no interior escolas, maternidades, tribunais (no novo mapa judiciário) e outros serviços públicos. Responde o Governo não fazer sentido manter escolas com menos de dez alunos, serviços de saúde sem um mínimo de movimento que os torne eficazes, tribunais quase sem processos (enquanto outros estão entupidos com montanhas deles), etc. É um ciclo vicioso: as pessoas fogem do interior porque não encontram lá oportunidades de emprego nem uma oferta razoável de serviços públicos (educação, saúde, justiça, etc.). E o Estado e as empresas evitam o interior porque vive lá pouca gente. Até que ponto é possível quebrar esse ciclo vicioso, através de políticas voluntaristas de promoção do desenvolvimento do interior? E quanto custariam elas? O problema não é só nosso. É universal a tendência moderna para as populações irem viver nas cidades. Mais de metade da população mundial já habita em áreas urbanas. No passado pré-industrial não era assim. A ideia de melhorar de nível económico e social era então uma utopia para a esmagadora maioria das pessoas, que ficavam agarradas ao campo, o seu ganha-pão. Com a industrialização tudo mudou. O desenvolvimento económico levou à concentração de pessoas, empresas e serviços públicos nas zonas urbanas. É aí que os investidores encontram mão-de-obra, bancos para os financiarem, serviços do Estado para lhes darem as necessárias licenças, meios de transporte para receberem fornecimentos e expedirem mercadorias, etc. Em Portugal a industrialização começou tarde, depois da Segunda Guerra Mundial. Por isso a saída das pessoas dos campos para as cidades só ganhou escala significativa há meio século. Mas de então para cá acelerou rapidamente. A mobilidade das populações foi intensificada pela cada vez maior abertura das economias ao intercâmbio internacional. A entrada da economia portuguesa na integração europeia (na EFTA, em 1960) aumentou a concorrência sentida por muitas empresas nacionais, mais um factor a incentivar a concentração geográfica de meios. Assim, o desequilíbrio entre um interior pobre, sem indústria, e uma faixa litoral mais desenvolvida não poderia senão aumentar, como aumentou. O fim do "Portugal essencialmente agrícola" também significou a morte previsível (mas raramente prevista) das aldeias. É, com certeza, uma tragédia pessoal para os poucos, geralmente velhos, que ainda lá estão. Vêem desabar o seu mundo com a partida dos mais novos, que procuram formação e emprego onde eles existem (ou parecem existir). Contra esta tendência, tenta-se atrair investimentos privados para o interior com benefícios fiscais. Os resultados são quase nulos. E, na falta de actividades económicas, as estradas que se constroem para quebrar o isolamento do interior servem sobretudo para as pessoas, uma vez instaladas no litoral, irem ao campo, onde muitas possuem segundas residências, nos fins-de- semana ou em férias. O máximo que, com um custo comportável, é possível fazer para travar a desertificação do interior está no desenvolvimento de algumas cidades médias. Cidades como Évora ou Vila Real, que beneficiam de terem universidades - mas não se pode colocar uma universidade em cada centro urbano. A sempre adiada descentralização de serviços (coisa diferente da regionalização) para esses núcleos urbanos médios ajudará, naturalmente, se vier a concretizar-se. Quando a qualidade de vida decai nos grandes aglomerados do litoral (por causa dos engarrafamentos de trânsito, nomeadamente), o progresso das telecomunicações atrai gente para uma vida mais calma em cidades do interior. Mas não haja ilusões: os grandes centros urbanos continuarão a oferecer bens que o interior, mesmo em cidades de média dimensão, não consegue disponibilizar. A nível pessoal e profissional. Há que ser realista, pois. E o pior dos irrealismos é pensar que uma reorganização político-administrativa como a regionalização, feita a partir de cima e sem correspondência em forças vivas locais, seria capaz de inverter a desertificação do interior. A realidade não se esgota no mundo político-partidário que gostaria de inventar mais empregos com mais burocracia.»
25 de ABRIL: FESTA DA LIBERDADE E DEMOCRACIA

DIA 25 sexta feira
09:00_ ROMAGEM AO CEMITÉRIO PARA INAUGURAÇÃO DE MEMORIAL E HOMENAGEM AOS AUTARCAS FALECIDOS
10:30_ARRUADA COM A BANDA DA SFUM “OS AMARELOS”
13:00_TORNEIO DE ENVIDO (CENTRO CULTURAL)
21:30_ MÚSICA POPULAR PORTUGUESA COM “SONS DA CAMPINA” (CENTRO
CULTURAL)
BAILE COM O ORGANISTA “ROBERTO CARLOS”
DIA 26 sábado
09:30_ PASSEIO DE BICICLETA PELA FREGUESIA
16:00_INAUGURAÇÃO DO PARQUE DA EIRINHA
SARDINHADA POPULAR
DIA 27 domingo
09:00_PERCURSO D’ALVORADA
15:00_ TORNEIO DE DAMAS (PARQUE DE JOGOS)
16:00_ TORNEIO DE TÉNIS DE MESA (PARQUE DE JOGOS)
09:00_ ROMAGEM AO CEMITÉRIO PARA INAUGURAÇÃO DE MEMORIAL E HOMENAGEM AOS AUTARCAS FALECIDOS
10:30_ARRUADA COM A BANDA DA SFUM “OS AMARELOS”
13:00_TORNEIO DE ENVIDO (CENTRO CULTURAL)
21:30_ MÚSICA POPULAR PORTUGUESA COM “SONS DA CAMPINA” (CENTRO
CULTURAL)
BAILE COM O ORGANISTA “ROBERTO CARLOS”
DIA 26 sábado
09:30_ PASSEIO DE BICICLETA PELA FREGUESIA
16:00_INAUGURAÇÃO DO PARQUE DA EIRINHA
SARDINHADA POPULAR
DIA 27 domingo
09:00_PERCURSO D’ALVORADA
15:00_ TORNEIO DE DAMAS (PARQUE DE JOGOS)
16:00_ TORNEIO DE TÉNIS DE MESA (PARQUE DE JOGOS)
quinta-feira, 10 de abril de 2008
O nosso Maestro é notícia...
Venho por este meio tomar a liberdade de lhe solicitar a divulgação de uma notícia que saiu hoje (09Abr08), no jornal Diário de Noticias, relativa a um distinto Oficial da GNR, que tal como eu é natural dessa pequena mas grande Aldeia dos nossos corações, porque julgo que ainda existem ai pessoas que o conhecem ou são da sua família.
Este nosso conterrâneo, do qual ainda sou parente e que tivemos por ironia do destino a honra de frequentar o mesmo curso de Oficiais, saiu da nossa Aldeia com 3 anos de idade.
É um Oficial muito conhecido nacional e Internacionalmente, devido aos seus dotes de musico e Maestro. Já tive o prazer de o ouvir tocar ao vivo.
Porque é sempre grato ver alguém que nasceu num lugar tão distante das oportunidades, tornar-se conhecido e reconhecido pelas suas capacidades, julgo que é motivo de orgulho para todos nós, que como ele vieram ao mundo por uma porta chamada SANTO AMADOR.
Um abraço para todos os Santoamadorenses,
Este nosso conterrâneo, do qual ainda sou parente e que tivemos por ironia do destino a honra de frequentar o mesmo curso de Oficiais, saiu da nossa Aldeia com 3 anos de idade.
É um Oficial muito conhecido nacional e Internacionalmente, devido aos seus dotes de musico e Maestro. Já tive o prazer de o ouvir tocar ao vivo.
Porque é sempre grato ver alguém que nasceu num lugar tão distante das oportunidades, tornar-se conhecido e reconhecido pelas suas capacidades, julgo que é motivo de orgulho para todos nós, que como ele vieram ao mundo por uma porta chamada SANTO AMADOR.
Um abraço para todos os Santoamadorenses,
António Lobo, Major
quarta-feira, 2 de abril de 2008
terça-feira, 1 de abril de 2008
Gente da minha Terra!
É com todo o prazer que aceitei o convite feito pelo administrador deste Blog para contar algumas das minhas experiências nas viagens em missão de serviço que realizei pelo mundo fora (quase pelos “4 cantos do Mundo” como ele diz). Considero que a ideia poderá vir a ter algum interesse na medida em que por alguns destes sítios também passaram outras pessoas da Aldeia, e que certamente os levará ao baú onde guardam as suas memórias!
Por ter sido onde iniciei as viagens, falar-vos-ei de Timor-Leste. Nesta Ilha, a cerca de 22 000 km de distância, que eu tenha conhecimento, e peço desculpa se me esquecer de alguém, também estiveram o José Feijão e o Sobrino a cumprir o serviço militar, e para eles: “Diak ah lay”.
Na minha narrativa tentarei explicar as circunstâncias e os motivos que levaram ao empenhamento da GNR nas duas vezes que foi solicitada a nossa colaboração!
É sob uma perspectiva pessoal que vos irei falar, não entrando em pormenores históricos porque pela Internet consegue-se obter toda essa informação!
Em 30 de Agosto de 1999 é realizado um referendo em Timor-Leste, com a esmagadora maioria da população a votar pela independência do território. Tal não foi bem aceite pela Indonésia, país que tinha invadido Timor em 1975. Os militares Indonésios e a “facção” Pro-Indonésia criam grupos de rebeldes, as Milícias, que levam o terror às ruas de Dili – Capital de Timor - bem como ao resto da Ilha.
Estando as Nações Unidas e toda a opinião Pública de olhos postos em Timor, foi decidido, por unanimidade, intervir em Timor-Leste e sanar de uma vez por todas o conflito ali existente.
Portugal compromete-se com a ONU em enviar, para além dos militares, uma companhia de Ordem Pública com caris militar para, em conjunto com outras forças internacionais, trazer a paz e tranquilidade pública àquele povo!
Em 10 de Março de 2000 parto para Timor-Leste. Encontrando um manto de destruição e tristeza, aos poucos e com muitas horas de patrulhamento, fomos implementando o respeito e a confiança na nossa força, levando a que após o segundo mês da nossa permanência naquele território, Dili deixasse de ser a cidade fantasma que encontrámos à chegada, voltando a haver comércio, escola e tranquilidade pública!
Após ter sido formalmente proclamada a independência de Timor-Leste, 30 de Maio de 2002, os “Guns and Roses” (GNR) como fomos e somos apelidados pelos Timorenses e pela comunidade estrangeira ali presente, por decisão da ONU, termina a sua missão, deixando o quartel por nós construído á UIR – Unidade de Intervenção Rápida – de Timor-Leste, força constituída por policias Timorenses para nos substituir.
Retirámos com a firme convicção e sentimento do dever e missão cumprida, pois, a liberdade, a tranquilidade e a segurança daquela ilha paradisíaca estavam garantidas!
Aparentemente o País tinha “pernas para andar” com o seu governo, polícia e restante estrutura.
Qual não é o espanto de toda a Comunidade Internacional, onde me englobo, quando em inícios de 2006 se volta a ouvir falar de instabilidade politica e social em Timor-Leste. O processo anteriormente desenvolvido estava comprometido, estava a ir água abaixo!
Em Março começa a haver alguns confrontos e no início de Maio são mortos cerca de duas dezenas de Policias da UIR pelos militares da FDTL. Assim, enquanto os militares e os policias se matam, reina novamente a anarquia em Timor-Leste, com novas destruições, saqueamentos, etc. Desta vez, mais grave do que na primeira, os timorenses estavam divididos! Alguém lhes incutiu a ideia que tinha de haver separação entre os Loro Mundo, nascidos na parte Ocidental da Ilha, e os Loro Sae nascidos na parte Leste da mesma, chegando ao cúmulo de apenas uma rua separar moradores de ambas as partes, ou seja vizinhos de uma vida, que subitamente se agridem e queimam as casas mutuamente.
Os Loro Sae, em minoria, refugiam-se em “campos de deslocados”, assim designados pelas Organizações Internacionais.
Através de um acordo Bilateral, numa primeira fase, e pela égide da ONU, depois, a GNR recebe a ordem de enviar novo contingente para o território tendo, de forma nunca antes vista, aproximadamente oito dias para o preparar e colocar em Timor-Leste!
Em 02 de Junho de 2006 às 23H50 estava, novamente, a embarcar para Timor-Leste, ao qual chegámos dia 04, às 07 da manhã.
Foi inédito o que vivi à chegada a Baukau, 2ª maior cidade de Timor, talvez a experiência profissional mais marcante na minha curta carreira e até aos dias de hoje. Esperavam-nos centenas de pessoas. Ao longo da estrada, durante as cinco horas de viagem até Dili, em todas as localidades, estava o povo na berma com bandeiras de Portugal. Isto era mais do que uma demonstração de carinho, era como se nos tivessem a dizer que o seu futuro, a sua esperança, mais uma vez, estava nas nossas mãos!
Estes gestos para o comum dos mortais pode não significar muito ou mesmo nada, mas para um militar... que se orgulhe e goste de o ser, é tudo!
Já em Dili, eis que volto a encontrar, seis anos depois, a cidade fantasma e destruída do passado.
Por ter sido onde iniciei as viagens, falar-vos-ei de Timor-Leste. Nesta Ilha, a cerca de 22 000 km de distância, que eu tenha conhecimento, e peço desculpa se me esquecer de alguém, também estiveram o José Feijão e o Sobrino a cumprir o serviço militar, e para eles: “Diak ah lay”.
Na minha narrativa tentarei explicar as circunstâncias e os motivos que levaram ao empenhamento da GNR nas duas vezes que foi solicitada a nossa colaboração!
É sob uma perspectiva pessoal que vos irei falar, não entrando em pormenores históricos porque pela Internet consegue-se obter toda essa informação!
Em 30 de Agosto de 1999 é realizado um referendo em Timor-Leste, com a esmagadora maioria da população a votar pela independência do território. Tal não foi bem aceite pela Indonésia, país que tinha invadido Timor em 1975. Os militares Indonésios e a “facção” Pro-Indonésia criam grupos de rebeldes, as Milícias, que levam o terror às ruas de Dili – Capital de Timor - bem como ao resto da Ilha.
Estando as Nações Unidas e toda a opinião Pública de olhos postos em Timor, foi decidido, por unanimidade, intervir em Timor-Leste e sanar de uma vez por todas o conflito ali existente.
Portugal compromete-se com a ONU em enviar, para além dos militares, uma companhia de Ordem Pública com caris militar para, em conjunto com outras forças internacionais, trazer a paz e tranquilidade pública àquele povo!
Em 10 de Março de 2000 parto para Timor-Leste. Encontrando um manto de destruição e tristeza, aos poucos e com muitas horas de patrulhamento, fomos implementando o respeito e a confiança na nossa força, levando a que após o segundo mês da nossa permanência naquele território, Dili deixasse de ser a cidade fantasma que encontrámos à chegada, voltando a haver comércio, escola e tranquilidade pública!
Após ter sido formalmente proclamada a independência de Timor-Leste, 30 de Maio de 2002, os “Guns and Roses” (GNR) como fomos e somos apelidados pelos Timorenses e pela comunidade estrangeira ali presente, por decisão da ONU, termina a sua missão, deixando o quartel por nós construído á UIR – Unidade de Intervenção Rápida – de Timor-Leste, força constituída por policias Timorenses para nos substituir.
Retirámos com a firme convicção e sentimento do dever e missão cumprida, pois, a liberdade, a tranquilidade e a segurança daquela ilha paradisíaca estavam garantidas!
Aparentemente o País tinha “pernas para andar” com o seu governo, polícia e restante estrutura.
Qual não é o espanto de toda a Comunidade Internacional, onde me englobo, quando em inícios de 2006 se volta a ouvir falar de instabilidade politica e social em Timor-Leste. O processo anteriormente desenvolvido estava comprometido, estava a ir água abaixo!
Em Março começa a haver alguns confrontos e no início de Maio são mortos cerca de duas dezenas de Policias da UIR pelos militares da FDTL. Assim, enquanto os militares e os policias se matam, reina novamente a anarquia em Timor-Leste, com novas destruições, saqueamentos, etc. Desta vez, mais grave do que na primeira, os timorenses estavam divididos! Alguém lhes incutiu a ideia que tinha de haver separação entre os Loro Mundo, nascidos na parte Ocidental da Ilha, e os Loro Sae nascidos na parte Leste da mesma, chegando ao cúmulo de apenas uma rua separar moradores de ambas as partes, ou seja vizinhos de uma vida, que subitamente se agridem e queimam as casas mutuamente.
Os Loro Sae, em minoria, refugiam-se em “campos de deslocados”, assim designados pelas Organizações Internacionais.
Através de um acordo Bilateral, numa primeira fase, e pela égide da ONU, depois, a GNR recebe a ordem de enviar novo contingente para o território tendo, de forma nunca antes vista, aproximadamente oito dias para o preparar e colocar em Timor-Leste!
Em 02 de Junho de 2006 às 23H50 estava, novamente, a embarcar para Timor-Leste, ao qual chegámos dia 04, às 07 da manhã.
Foi inédito o que vivi à chegada a Baukau, 2ª maior cidade de Timor, talvez a experiência profissional mais marcante na minha curta carreira e até aos dias de hoje. Esperavam-nos centenas de pessoas. Ao longo da estrada, durante as cinco horas de viagem até Dili, em todas as localidades, estava o povo na berma com bandeiras de Portugal. Isto era mais do que uma demonstração de carinho, era como se nos tivessem a dizer que o seu futuro, a sua esperança, mais uma vez, estava nas nossas mãos!
Estes gestos para o comum dos mortais pode não significar muito ou mesmo nada, mas para um militar... que se orgulhe e goste de o ser, é tudo!
Já em Dili, eis que volto a encontrar, seis anos depois, a cidade fantasma e destruída do passado.
Era o começar tudo de novo, embora com um grau de dificuldade acrescido. O ódio estava instalado num povo dividido, do género: se queimaste a minha casa, queimar-te-ei a tua, se me mataste um familiar...
Todos nós sabemos o que é o sentimento de vingança e revolta! Não foi e não está a ser nada fácil sarar essas feridas!
Neste tipo de trabalho tem de haver cuidados acrescidos na preparação e mentalização dos intervenientes, os militares, prepara-los psíquica e fisicamente para as dificuldades do “teatro” onde vamos Operar. Neste caso em especifico até de Bombeiros tivemos de fazer, pois estes, a partir do pôr-do-sol, não respondiam a mais chamadas, tinham receio de sair à rua, ou os escoltávamos do quartel ao incêndio ou então nada feito. Ao início eram dezenas de casas a arder, então optámos, na maioria dos casos, em deitar mãos à obra, afim de minimizar os estragos!
Nesta missão, devido à sua complexidade, em 25 de Novembro de 2006 regresso a Portugal com o sentimento que todo o esforço por nós dispendido não foi o suficiente para estabilizar e sanar o conflito ali subjacente. O clima ficou tenso, e pelos últimos acontecimentos constatei e comprovei isso mesmo. Onde existe o sentimento de vingança, aparentemente está tudo bem mas na primeira oportunidade... só as gerações futuras, apostando na educação e formação, poderão ultrapassar e sarar estas feridas!
Pelo seu olhar de sofrimento, pelo seu sorriso, pela sua generosidade, por verem em nós aquilo que um dia gostariam de ser, é por elas, crianças, que isto tudo tem muito significado para nós...
Pedindo desculpa à Dª. Mariete, minha professora na primária, caso haja algumas imprecisões ao nível da escrita e prometendo vir a falar de outros locais por onde passei, despeço-me de vós com a firme esperança de estar a contribuir para que o Blog da nossa Terra sirva também para trocar experiências vividas por todos aqueles que, por circunstâncias da vida, vivem afastados, presencialmente, da nossa terra!
Viva a nossa Aldeia e viva aqueles que por ela “lutam”!
Todos nós sabemos o que é o sentimento de vingança e revolta! Não foi e não está a ser nada fácil sarar essas feridas!
Neste tipo de trabalho tem de haver cuidados acrescidos na preparação e mentalização dos intervenientes, os militares, prepara-los psíquica e fisicamente para as dificuldades do “teatro” onde vamos Operar. Neste caso em especifico até de Bombeiros tivemos de fazer, pois estes, a partir do pôr-do-sol, não respondiam a mais chamadas, tinham receio de sair à rua, ou os escoltávamos do quartel ao incêndio ou então nada feito. Ao início eram dezenas de casas a arder, então optámos, na maioria dos casos, em deitar mãos à obra, afim de minimizar os estragos!
Nesta missão, devido à sua complexidade, em 25 de Novembro de 2006 regresso a Portugal com o sentimento que todo o esforço por nós dispendido não foi o suficiente para estabilizar e sanar o conflito ali subjacente. O clima ficou tenso, e pelos últimos acontecimentos constatei e comprovei isso mesmo. Onde existe o sentimento de vingança, aparentemente está tudo bem mas na primeira oportunidade... só as gerações futuras, apostando na educação e formação, poderão ultrapassar e sarar estas feridas!
Pelo seu olhar de sofrimento, pelo seu sorriso, pela sua generosidade, por verem em nós aquilo que um dia gostariam de ser, é por elas, crianças, que isto tudo tem muito significado para nós...
Pedindo desculpa à Dª. Mariete, minha professora na primária, caso haja algumas imprecisões ao nível da escrita e prometendo vir a falar de outros locais por onde passei, despeço-me de vós com a firme esperança de estar a contribuir para que o Blog da nossa Terra sirva também para trocar experiências vividas por todos aqueles que, por circunstâncias da vida, vivem afastados, presencialmente, da nossa terra!
Viva a nossa Aldeia e viva aqueles que por ela “lutam”!
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